A Diáspora Lusa acompanhou, em dezembro de 2025, no Pestana Cidadela Hotel, em Cascais, o encontro de balanço anual do Conselho da Diáspora Portuguesa (CDP), momento em que ficou evidente a centralidade das comunidades portuguesas no exterior na estratégia de projeção internacional do país. É nesse contexto que se insere a entrevista a António Calçada de Sá, presidente da Direção do Conselho da Diáspora Portuguesa, centrada na realidade específica de Macau, no papel da comunidade portuguesa e lusodescendente naquele território, mas, também, no trabalho desenvolvido pelos conselheiros e pela entidade com o intuito de valorizar os portugueses que decidiram emigrar.

Para António Calçada de Sá, Macau constitui uma realidade particularmente relevante para o Conselho da Diáspora Portuguesa, não apenas pela sua dimensão histórica, mas pela vitalidade de uma comunidade que mantém uma ligação ativa a Portugal e atua como ponte entre geografias, economias e culturas. A visão do Conselho parte da convicção de que Portugal não se esgota no seu território e de que o capital humano emigrado é um ativo fundamental para a economia, para a diplomacia e para a projeção internacional do país, num quadro em que a diáspora deixa de ser apenas um elo cultural ou emocional para assumir uma dimensão estratégica e económica.

Nesta conversa, o presidente do Conselho sublinha ainda a importância da articulação institucional, defendendo que a parceria mantida com o Conselho das Comunidades Portuguesas é fundamental para um alinhamento e definição de estratégias transversais que façam mais e melhor pelas comunidades de portugueses espalhados pelo mundo. Nesse sentido, reforça que ser conselheiro significa participar, contribuir e ajudar a transformar ligação em ação, num modelo de envolvimento ativo que encontra em Macau um exemplo claro da capacidade de mobilização e influência da diáspora portuguesa à escala global.

O Conselho da Diáspora Portuguesa nasceu em 2012, no Palácio de Belém, sob Alto Patrocínio da Presidência da República. Que leitura faz hoje desse momento fundador e do contexto político e institucional em que a entidade foi criada?

O nascimento do Conselho da Diáspora Portuguesa, em 2012, ocorreu num contexto particularmente exigente, marcado por uma crise económica profunda e por um novo ciclo migratório de muitos portugueses à procura de oportunidades no exterior. A sua criação, sob Alto Patrocínio da Presidência da República, deve ser lida como um verdadeiro ato de visão estratégica: o reconhecimento de que Portugal precisava de manter uma ligação ativa, estruturada e ambiciosa com os seus cidadãos no mundo, valorizando o seu contributo e afirmando a imagem, a credibilidade e as potencialidades do país no plano internacional. Hoje, esse momento fundador representa o início de um caminho consistente de aproximação entre Portugal e a sua diáspora, valorizando talento, experiência e redes construídas à escala global. O Conselho da Diáspora Portuguesa nasceu para reforçar a credibilidade de Portugal no mundo e aprofundar a sua ligação com o exterior, uma missão que continua tão atual quanto necessária e estratégica.

Desde os 24 membros fundadores até aos atuais mais de 370 conselheiros distribuídos por mais de 40 países, que fatores explicam este crescimento sustentado e a consolidação do Conselho enquanto rede global de influência portuguesa?

Este crescimento resulta de uma combinação clara de visão estratégica, credibilidade institucional e capacidade de gerar valor concreto. Desde o início, o Conselho construiu-se como uma rede baseada no mérito, no compromisso e na vontade de contribuir ativamente para o desenvolvimento e para a projeção de Portugal. A consolidação foi reforçada pela dinamização dos Núcleos Regionais e dos Centros de Competência, pela afirmação da Diáspora Jovem e pela criação e consolidação dos Fóruns EurAfrican e EuroAmericas. Ler artigo completo