A Mota-Engil Latam Portugal venceu o leilão para a construção, operação e manutenção do túnel imerso entre Santos e Guarujá, no estado de São Paulo, Brasil. O resultado foi anunciado no dia 5 de setembro, após a empresa apresentar um desconto de 0,5% sobre a contrapartida pública, segundo dados divulgados pelo G1 e pela CNN Brasil.
O investimento total está estimado em cerca de €1,1 mil milhões (R$ 6,8 mil milhões), de acordo com informação do Governo Federal brasileiro. O contrato de concessão terá a duração de 30 anos, com possibilidade de renovação, no âmbito de uma parceria público-privada (PPP) que envolve os governos estadual e federal e será fiscalizada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e pela Artesp.
O túnel terá 1,5 quilómetros de extensão, sendo 870 metros submersos, e contará com três faixas por sentido, uma delas reservada ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de passagem para pedestres e ciclistas e uma galeria de serviços. A obra utilizará a tecnologia de módulos de betão pré-moldados, já aplicada em países como a Dinamarca, Holanda e Noruega, considerada uma solução com menor impacto urbano e execução mais rápida.
A nova ligação deverá reduzir o tempo de travessia entre Santos e Guarujá de até uma hora por estrada ou 18 minutos de balsa para menos de cinco minutos, beneficiando diretamente mais de dois milhões de habitantes da Baixada Santista e trabalhadores do Porto de Santos, segundo dados do Governo do Estado de São Paulo. Atualmente, cerca de 78 mil pessoas atravessam diariamente as duas margens através de balsas ou barcos.
Durante a fase de construção, a expectativa é de criação de cerca de nove mil empregos diretos e indiretos. O modelo prevê isenção de tarifa para pedestres e ciclistas, enquanto o valor de referência para veículos será de R$ 6,15 por sentido, próximo ao praticado no sistema de balsas, de acordo com a Agência SP. A obra já obteve licença ambiental prévia emitida pela CETESB, confirmando a viabilidade ambiental do projeto.
A conclusão está prevista para 2030, com abertura ao público programada para 2031, incluindo as obras de acesso.
Após o anúncio, as ações da Mota-Engil registaram valorização de 8% a 9% na Bolsa de Lisboa, atingindo cerca de 5,53 euros por ação, segundo o Jornal de Negócios. No acumulado de 2025, a empresa já soma mais de 75% de valorização, impulsionada pela expansão internacional.
A cerimónia de anúncio contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, além de ministros e autoridades locais. O projeto integra o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), sendo considerado a maior obra de mobilidade urbana do programa.
A Mota-Engil atua no Brasil desde 2009, com foco em infraestruturas e no setor de petróleo e gás. Em 2025, adquiriu 100% da Empresa Construtora Brasil (ECB), reforçando a sua presença no país.
Este será o primeiro túnel imerso construído no Brasil e na América Latina, depois de alternativas como ponte ou túnel escavado terem sido descartadas por limitações técnicas.
