Portugal mobilizou o navio patrulha oceânico NRP Sines para prestar apoio humanitário a Cabo Verde, na sequência das cheias severas que atingiram, nos últimos dias, as ilhas de São Vicente e Santo Antão. A operação envolve 56 militares e visa apoiar as autoridades locais no socorro às populações afetadas.
De acordo com informação tornada pública pelo Ministério da Defesa Nacional, em articulação com o ministro da Defesa, Nuno Melo (CDS), e com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o NRP Sines já se encontra a caminho do arquipélago para prestar assistência humanitária às populações. A operação é coordenada pelo Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA).
O navio tinha estado, no início de agosto, em Cabo Verde, no quadro da Iniciativa “Mar Aberto”, destinada a missões de fiscalização marítima e segurança cooperativa, nomeadamente devido à instabilidade no Golfo da Guiné. Aproveitando a localização estratégica e as capacidades operacionais do navio, foi-lhe rapidamente atribuída esta nova missão de emergência, iniciada a 15 de agosto.
Comandado pelo capitão-tenente Vítor Manuel Silva Santos, o NRP Sines leva a bordo uma guarnição de 44 militares, à qual se juntam 12 elementos especializados, incluindo fuzileiros, mergulhadores, um destacamento de sistemas não tripulados, um médico naval e um oficial de relações internacionais. No total, a força destacada integra 12 oficiais, 12 sargentos e 32 praças.
As operações no terreno serão acompanhadas em permanência pelas autoridades portuguesas, com envolvimento direto do Presidente da República, do Ministério da Defesa Nacional e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, num exemplo de rápida reação num momento de crise.
A missão surge num contexto de chuvas torrenciais em Cabo Verde, que atingiram máximos de 163 mm/hora, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica de Cabo Verde, e resultaram em oito mortes confirmadas, além de provocar danos significativos em infraestruturas e habitações. As ilhas de São Vicente e Santo Antão encontram-se sob estado de calamidade e cumprem dois dias de luto nacional.
Portugal, solidariza-se com esta nação lusófona, utilizando meios militares para uma resposta humanitária de proximidade, alinhada com a cooperação histórica e as relações de amizade entre os dois países.
